Quando os olhos se fecharam
e nunca mais se abriram...
Sob a mansidão do intenso luar,
nuvens brancas se enegreceram.
Em corpo frio e rígido,
encerraram-se as luzes,
fecharam-se as janelas
e as portas definitivas.
...
Pintura nova nas paredes,
verniz fresco deixado no chão,
renovado o ar respirado.
Dentro das antigüidades,
outras portas, outras janelas,
novo corpo decisivo.
terça-feira, 8 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
PROSSEGUIMENTO
... por areias alvas,
por mares silenciosos e densos,
mares em demasiado desertos...
Pedras excedem-se nos caminhos,
bolas de fogo correm no céu,
tempestades que não existirão...
Nas vulnerabilidades dos sonhos,
já os ouros dos dias vencidos...
E os entrechoques do tempo,
as reinvenções de sua face.
No chão ardido, meus olhos,
leite branco-ensangüentado,
e pés cobertos por velhos panos.
por mares silenciosos e densos,
mares em demasiado desertos...
Pedras excedem-se nos caminhos,
bolas de fogo correm no céu,
tempestades que não existirão...
Nas vulnerabilidades dos sonhos,
já os ouros dos dias vencidos...
E os entrechoques do tempo,
as reinvenções de sua face.
No chão ardido, meus olhos,
leite branco-ensangüentado,
e pés cobertos por velhos panos.
terça-feira, 6 de abril de 2010
ESCURECIMENTO
Ainda no início da noite,
as conversas de homens pretéritos,
suas constatações e invisíveis construções,
os poucos cães ainda rosnam aprisionados.
No aprofundamento do tempo,
todos se calam, fecham-se as casas:
há um sentido de fome e abandono,
soltam-se os cães na escuridão.
Nos sonhos adormecidos,
a conclusiva conformação,
os ressonos dos homens
e as mulheres laterais.
E vozes e gestos inexistentes,
gritos e sussurros de almas malditas,
dos cães, os longos uivos para as estrelas:
pedras frívolas de ruas vazias.
Então, na pequena cidade anoitecida,
alguma criança chorará solitária,
no esquecimento estará a eternidade.
as conversas de homens pretéritos,
suas constatações e invisíveis construções,
os poucos cães ainda rosnam aprisionados.
No aprofundamento do tempo,
todos se calam, fecham-se as casas:
há um sentido de fome e abandono,
soltam-se os cães na escuridão.
Nos sonhos adormecidos,
a conclusiva conformação,
os ressonos dos homens
e as mulheres laterais.
E vozes e gestos inexistentes,
gritos e sussurros de almas malditas,
dos cães, os longos uivos para as estrelas:
pedras frívolas de ruas vazias.
Então, na pequena cidade anoitecida,
alguma criança chorará solitária,
no esquecimento estará a eternidade.
domingo, 4 de abril de 2010
OLHARES CONSENTIDOS
Nunca se preocupe:
com os mesmos olhos veja a cidade,
ainda que não da mesma maneira!
[Conclusões dependem de espelhos
e de curvaturas de muitos vidros,
luzes que nos permitem].
Se temos a mesquinhez do espaço
e a sordidez dos amantes-heróis,
suponhamo-nos pessoas dignas;
e inventemos orações fúnebres e ritos,
deuses frios e ruas de mármore,
os jardins fictícios das memórias!
[Em nosso adormecimento,
há mundos totalmente abandonados
e inconseqüências de passos permitidos...].
Com nossas construções,
temos uma presença bem rápida,
somos circunstanciais.
[Ah, as situações que não existiram,
em que deveríamos ter sido!...
Veja: o dia suposto já ressurge!].
com os mesmos olhos veja a cidade,
ainda que não da mesma maneira!
[Conclusões dependem de espelhos
e de curvaturas de muitos vidros,
luzes que nos permitem].
Se temos a mesquinhez do espaço
e a sordidez dos amantes-heróis,
suponhamo-nos pessoas dignas;
e inventemos orações fúnebres e ritos,
deuses frios e ruas de mármore,
os jardins fictícios das memórias!
[Em nosso adormecimento,
há mundos totalmente abandonados
e inconseqüências de passos permitidos...].
Com nossas construções,
temos uma presença bem rápida,
somos circunstanciais.
[Ah, as situações que não existiram,
em que deveríamos ter sido!...
Veja: o dia suposto já ressurge!].
sábado, 3 de abril de 2010
ANSEIO
Temos esta noite inteira
e o verde de seus olhos,
mas não o dia seguinte.
Nossas descontinuidades...
Angústias e indiferenças,
luzes que se desmancham no céu.
Vamos, não tenha medo:
a areia brilha quando a pisamos,
temos evidências que cegam!
Nossos corpos cintilam, ofuscam-nos,
tudo é muito repetido, muito mágico,
temos encantos a serem tocados.
e o verde de seus olhos,
mas não o dia seguinte.
Nossas descontinuidades...
Angústias e indiferenças,
luzes que se desmancham no céu.
Vamos, não tenha medo:
a areia brilha quando a pisamos,
temos evidências que cegam!
Nossos corpos cintilam, ofuscam-nos,
tudo é muito repetido, muito mágico,
temos encantos a serem tocados.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
PASSOS NO SILÊNCIO
Andarei pela cidade com morte verdadeira,
sem a intensidade que me vem do imenso rio:
na linda praça dos homens aclamados,
sempre estarão as mulheres não-calculadas.
Andarei, ainda, com todas minhas lágrimas,
com meu sangue ausente,
uma só trilha, um só caminho,
a escura passagem de meus sonhos.
Minhas falas são seus silêncios,
passos prisioneiros,
e sua feição meiga e calma,
minha alma agonizante.
sem a intensidade que me vem do imenso rio:
na linda praça dos homens aclamados,
sempre estarão as mulheres não-calculadas.
Andarei, ainda, com todas minhas lágrimas,
com meu sangue ausente,
uma só trilha, um só caminho,
a escura passagem de meus sonhos.
Minhas falas são seus silêncios,
passos prisioneiros,
e sua feição meiga e calma,
minha alma agonizante.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
HORIZONTES
Uma mesa e quatro cadeiras,
ao lado, leite derramado.
Janela de brancas cortinas,
vento que as desordena,
gotas de lágrimas e sangue.
Lá fora, na intensa luz do dia,
correm os sonhos inquietantes.
Nas latências dos tempos concretos,
meus espaços imaginários,
o prosseguir por onde me nego.
Há a suavidade dos segredos,
os valores da eternidade.
Sobre o brilho intenso do chão,
estrelas precipitam-se,
desmancham-se desordenadas.
ao lado, leite derramado.
Janela de brancas cortinas,
vento que as desordena,
gotas de lágrimas e sangue.
Lá fora, na intensa luz do dia,
correm os sonhos inquietantes.
Nas latências dos tempos concretos,
meus espaços imaginários,
o prosseguir por onde me nego.
Há a suavidade dos segredos,
os valores da eternidade.
Sobre o brilho intenso do chão,
estrelas precipitam-se,
desmancham-se desordenadas.
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