Percebe-se a sala da noite.
Ela está depois da varanda,
logo após a porta fechada,
quando cerradas as janelas.
Na sala, luz comum às sombras,
velhas mobílias, pessoas assentadas,
sentinelas e olhos afastados,
preferências e um ritmo vulgar,
o pretenso e a intimidade acostumada,
o que se dispõe, o sintomático.
Do lado de fora, os acoites do vento,
os pesos universais.
[Sala de visitas]
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
ANUNCIAÇÃO
Aconteço em mim mesmo,
movimento-me,
criatura ou não-criatura.
Formas e conteúdos conjugam-se,
há pressa,
um tempo em construção.
[Sala de visitas]
movimento-me,
criatura ou não-criatura.
Formas e conteúdos conjugam-se,
há pressa,
um tempo em construção.
[Sala de visitas]
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
FASCÍNIO
Admiro os loucos,
os que não temem o ridículo,
os desvarios das paixões,
o inconcebível...
Admiro os homens imundos, alucinados,
das obscuridades das esquinas e das sarjetas,
os que gritam enfurecidos para o nada
ou choram e uivam como cães perdidos.
Eles são aprofundamentos dos dias,
da imensa solidão da cidade,
e perdem-se como pedras frias
nos olhos dos homens resumidos.
os que não temem o ridículo,
os desvarios das paixões,
o inconcebível...
Admiro os homens imundos, alucinados,
das obscuridades das esquinas e das sarjetas,
os que gritam enfurecidos para o nada
ou choram e uivam como cães perdidos.
Eles são aprofundamentos dos dias,
da imensa solidão da cidade,
e perdem-se como pedras frias
nos olhos dos homens resumidos.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
CONTINUIDADE
Pequeno rio quase córrego,
na descida do morro: expectativas,
meus passos...
No alto, ficam os gigantes
e minha impotência e minhas recusas,
ruas inferiores e cores feridas.
Dos barulhos de mares antigos,
através de frescos ventos,
a alma imprecisa que trago.
Mesmo que não se repitam os propósitos
e que já se tenham passados tantos dias,
você ainda é linda demais para meus olhos.
na descida do morro: expectativas,
meus passos...
No alto, ficam os gigantes
e minha impotência e minhas recusas,
ruas inferiores e cores feridas.
Dos barulhos de mares antigos,
através de frescos ventos,
a alma imprecisa que trago.
Mesmo que não se repitam os propósitos
e que já se tenham passados tantos dias,
você ainda é linda demais para meus olhos.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
ANOITECER
Há um significado solitário...
Na latência do horizonte,
o silêncio do mundo.
No escurecer da alma,
um único rosto,
a distância do derradeiro.
Nas últimas brisas,
a noite das vozes desatentas,
restos das ardências do dia.
Na latência do horizonte,
o silêncio do mundo.
No escurecer da alma,
um único rosto,
a distância do derradeiro.
Nas últimas brisas,
a noite das vozes desatentas,
restos das ardências do dia.
ANIQUILAMENTO
O que lhes oferecem, senhores,
são atos de desistência,
apesar de olhares de dor,
de passos sonhadores.
O que lhes pedem!?...
O que se dispensa a um cão,
uma migalha essencial,
o que se atira ao chão.
Nas almas mortas,
há insensatez,
há insignificância,
o que não se aborta;
e, como substâncias,
pedras de ruas frias,
que são olhos esgotados,
as podridões dos dias.
são atos de desistência,
apesar de olhares de dor,
de passos sonhadores.
O que lhes pedem!?...
O que se dispensa a um cão,
uma migalha essencial,
o que se atira ao chão.
Nas almas mortas,
há insensatez,
há insignificância,
o que não se aborta;
e, como substâncias,
pedras de ruas frias,
que são olhos esgotados,
as podridões dos dias.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
RESPLANDECÊNCIAS
Minha voz, minha alma inútil...
Ah, meus olhos sempre fixos,
magnitudes de imagens de ouro!
Nos intensos brilhos,
marcantes sublimações
e espelhos insepultos.
No silêncio dos pântanos,
corpos nus e luminosos,
contrários de estrelas.
Ah, meus olhos sempre fixos,
magnitudes de imagens de ouro!
Nos intensos brilhos,
marcantes sublimações
e espelhos insepultos.
No silêncio dos pântanos,
corpos nus e luminosos,
contrários de estrelas.
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