Nos olhos,
a luz que faz o dia:
luz direta, firme,
que cega.
Na escuridão dos olhos,
manchas caleidoscópicas,
distribuições do firmamento:
brilhos circulares alongam-se
e cristais cintilam.
Diluições cambiantes.
Na face imóvel, apenas o vento,
frescor vindo de seguidos morros,
onde retilínea estrada foi ondulada,
ao romper-se a caatinga verdejante.
Quando os olhos estavam abertos,
a estrada aparecia e desaparecia,
um veículo veloz cobria-se de sol
e despertava tapetes de borboletas.
Ah!.. Foi enquanto flores tinham mil cores
e fecundavam a luz que fez o dia,
exalando mil odores de mel
em busca da direção do mundo.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Ela e seus ouros envelhecidos
e seus brinquedos violados,
ela perfeitamente.
Roupas apagadas no silêncio,
cabelo caídos – desalinhos
e sóis negados na metade do dia.
Nas sombras construídas,
opacidades de espelhos, imagens,
chãos exauridos.
Nos seios esmagados,
há uma criança deixada
e vultos elaborados.
Tudo se esconde nas desistências,
nas aparências das lágrimas,
nos contrários dos sentidos.
e seus brinquedos violados,
ela perfeitamente.
Roupas apagadas no silêncio,
cabelo caídos – desalinhos
e sóis negados na metade do dia.
Nas sombras construídas,
opacidades de espelhos, imagens,
chãos exauridos.
Nos seios esmagados,
há uma criança deixada
e vultos elaborados.
Tudo se esconde nas desistências,
nas aparências das lágrimas,
nos contrários dos sentidos.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
A poeira é necessária.
Há valimentos, considerações
e pessoas consentidas,
as sobras.
Ela se estende no ar
e define a imobilidade.
Depois, expande-se
e assenta-se no chão.
A poeira é só um elo frio,
a correção e o envolvimento,
o laço invisível,
a correlação familiar.
É o que fica da repetição dos rostos,
costumes de sombras aprisionadas
(e no cansaço, com as intimidades,
as vontades modificadas).
A chuva sempre é perfeita ao amanhecer.
Há valimentos, considerações
e pessoas consentidas,
as sobras.
Ela se estende no ar
e define a imobilidade.
Depois, expande-se
e assenta-se no chão.
A poeira é só um elo frio,
a correção e o envolvimento,
o laço invisível,
a correlação familiar.
É o que fica da repetição dos rostos,
costumes de sombras aprisionadas
(e no cansaço, com as intimidades,
as vontades modificadas).
A chuva sempre é perfeita ao amanhecer.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Na inteireza da noite, derreamentos.
E risos, algazarras, pessoas que passam
sob uma janela, em uma rua, no vazio.
O silêncio é lunar.
Na penumbra, a mesa com uma jarra,
flores escurecidas...
E ninguém tirou a cadeira do lugar:
o medo, o assalto, a descoberta.
Palavras são deixadas nos dias,
desnecessárias.
Os olhos são vagos e solúveis,
inconsistências inúteis.
E risos, algazarras, pessoas que passam
sob uma janela, em uma rua, no vazio.
O silêncio é lunar.
Na penumbra, a mesa com uma jarra,
flores escurecidas...
E ninguém tirou a cadeira do lugar:
o medo, o assalto, a descoberta.
Palavras são deixadas nos dias,
desnecessárias.
Os olhos são vagos e solúveis,
inconsistências inúteis.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Quando me incorporo escuridão,
sou como aquela imagem,
de líquidos e membranas orgânicas,
com meus olhos que não mais me enganam.
Feto azul, violeta ou lilás, tão cintilante,
tão sem contrários e tão sem sonhos,
sou ordem em espelho negro e mágico.
E faço-me minha própria metade atroz,
porque não tem idade, nem nascer,
nem um único instante.
sou como aquela imagem,
de líquidos e membranas orgânicas,
com meus olhos que não mais me enganam.
Feto azul, violeta ou lilás, tão cintilante,
tão sem contrários e tão sem sonhos,
sou ordem em espelho negro e mágico.
E faço-me minha própria metade atroz,
porque não tem idade, nem nascer,
nem um único instante.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
O lado de dentro,
onde estão pessoas antigas
e os ausentes.
Luzes pálidas esticam-se fracas e nuas sobre todos,
luzes de silêncios fixados, lâmpadas de teto.
Conversas fúteis, palavras desnecessárias.
Bocas alongam-se e retraem-se: vozes,
contornos de lábios e hálitos inúteis,
há noites retidas nas palavras.
Olhos desbotados, acostumados,
eles se trocam nas mesmas faces,
novas costuras em roupas antigas,
as lâmpadas estão bem fixas.
E moscas dormitam, sempre dormitam...
Nos fios que prendem as lâmpadas, na quietude.
E sólido e conciliado o lado de dentro.
onde estão pessoas antigas
e os ausentes.
Luzes pálidas esticam-se fracas e nuas sobre todos,
luzes de silêncios fixados, lâmpadas de teto.
Conversas fúteis, palavras desnecessárias.
Bocas alongam-se e retraem-se: vozes,
contornos de lábios e hálitos inúteis,
há noites retidas nas palavras.
Olhos desbotados, acostumados,
eles se trocam nas mesmas faces,
novas costuras em roupas antigas,
as lâmpadas estão bem fixas.
E moscas dormitam, sempre dormitam...
Nos fios que prendem as lâmpadas, na quietude.
E sólido e conciliado o lado de dentro.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Quase não se vê a poeira,
o que permanece, a ordem,
princípio e fim....
Ela sempre cai lentamente
sempre única, leniente,
na sala das imagens presumidas.
Há um saber e um quarto recusado,
o valor de um relógio de parede
e um desconhecido significado da rua.
Tudo é discreto...
Até as desestabilizações do ar aprisionado.
[Sala de visitas]
o que permanece, a ordem,
princípio e fim....
Ela sempre cai lentamente
sempre única, leniente,
na sala das imagens presumidas.
Há um saber e um quarto recusado,
o valor de um relógio de parede
e um desconhecido significado da rua.
Tudo é discreto...
Até as desestabilizações do ar aprisionado.
[Sala de visitas]
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