O corpo dói,
arde em paredes frias.
Chuva intensa...
Lá fora, fortes clarões, estrondos,
ventos gritam na solidão do mundo,
rasgam-se as matas e os tempos.
No vazio da noite,
a casa é única, é solitária,
é o cimo do mundo.
Há ânsia e desolação,
sujeição às luzes antigas,
e sentidos velhos e disformes...
Memórias de muitos sonhos.
sábado, 31 de outubro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
PERCEPÇÃO
Dos sonhos surgem construções,
formas brancas, alucinantes,
e claridades azuis de seguidos dias.
No chão, as imagens...
Elas surgem malditas, já esquecidas,
são sujas as luvas das almas cobertas.
E meus olhos frios,
sempre desistentes,
são vôos de pássaros mortos.
Insistentes vôos...
Filhos bastardos
em meu céu de sangue,
em meu céu vermelho.
De dentro de mim sai um corpo,
cubro-o com dores e angústias,
roupas coloridas estendidas no varal.
formas brancas, alucinantes,
e claridades azuis de seguidos dias.
No chão, as imagens...
Elas surgem malditas, já esquecidas,
são sujas as luvas das almas cobertas.
E meus olhos frios,
sempre desistentes,
são vôos de pássaros mortos.
Insistentes vôos...
Filhos bastardos
em meu céu de sangue,
em meu céu vermelho.
De dentro de mim sai um corpo,
cubro-o com dores e angústias,
roupas coloridas estendidas no varal.
NO ALPENDRE
Nunca pensamos o que dizer,
mas bem lá, depois deste lugar,
na escuridão derramada sobre o morro
e sobre aquelas vargens embrenhadas,
veja o recado do mundo conhecido!
Não tema, não se feche na rede,
a mariposa não incomoda tanto,
seu vôo é muito pequeno!
Lá dentro, a lâmpada descoberta e esgotada;
no brilho jogado em um canto da noite,
insistente inseto na fugacidade da existência,
tênue fogo no abandono da casa necessária
e um lugar único no centro da sala.
No silêncio de nossa lenta respiração,
nossos corpos; em nossas sombras,
os restos das pessoas que se foram,
as mecânicas para fazer-nos,
elementos de vozes costumeiras.
Na única casa tão existente,
o calor que não conheceremos
e a pequena mariposa.
mas bem lá, depois deste lugar,
na escuridão derramada sobre o morro
e sobre aquelas vargens embrenhadas,
veja o recado do mundo conhecido!
Não tema, não se feche na rede,
a mariposa não incomoda tanto,
seu vôo é muito pequeno!
Lá dentro, a lâmpada descoberta e esgotada;
no brilho jogado em um canto da noite,
insistente inseto na fugacidade da existência,
tênue fogo no abandono da casa necessária
e um lugar único no centro da sala.
No silêncio de nossa lenta respiração,
nossos corpos; em nossas sombras,
os restos das pessoas que se foram,
as mecânicas para fazer-nos,
elementos de vozes costumeiras.
Na única casa tão existente,
o calor que não conheceremos
e a pequena mariposa.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
DESENCANTO
Tenho, do princípio de tudo,
o que ainda me resta dizer,
águas mortas e um tempo,
o que não pode ser pensado.
Orações consumam-se no silêncio,
cobrem sonhos e passados inconclusos,
e há uma mulher sob imagens omitidas,
uma pretendida mulher muito nua...
E as ilhas...
Tantas ilhas de fino vidro,
ilhas abandonadas, já esquecidas,
que ainda se quebram nos vazios do oceano,
no que não pode existir...
o que ainda me resta dizer,
águas mortas e um tempo,
o que não pode ser pensado.
Orações consumam-se no silêncio,
cobrem sonhos e passados inconclusos,
e há uma mulher sob imagens omitidas,
uma pretendida mulher muito nua...
E as ilhas...
Tantas ilhas de fino vidro,
ilhas abandonadas, já esquecidas,
que ainda se quebram nos vazios do oceano,
no que não pode existir...
domingo, 18 de outubro de 2009
ACONTECER
Por um instante, permanecemos inertes.
No precipício, o que cai eternamente:
a linda manhã anunciada,
o futuro atribuído.
O mundo é destoante.
O abismo é o que nos permite ser,
se tanto sonhamos e desejamos
e há uma loucura que não nos pertence.
Sempre nos procuraremos nos ocasos,
pois um sol desconhecido é o cotidiano,
há vozes esperadas e inquietantes,
flores estão onde não existem.
Em nossas faces, ventos e reflexos,
os vazios da transparência dos espelhos,
brilhos fugazes, formas frias:
sentimo-nos nus e escorregadios.
No precipício, o que cai eternamente:
a linda manhã anunciada,
o futuro atribuído.
O mundo é destoante.
O abismo é o que nos permite ser,
se tanto sonhamos e desejamos
e há uma loucura que não nos pertence.
Sempre nos procuraremos nos ocasos,
pois um sol desconhecido é o cotidiano,
há vozes esperadas e inquietantes,
flores estão onde não existem.
Em nossas faces, ventos e reflexos,
os vazios da transparência dos espelhos,
brilhos fugazes, formas frias:
sentimo-nos nus e escorregadios.
sábado, 17 de outubro de 2009
NÁUGRAGOS
Ei, moça que permanece:
vejo-a marinheira sem águas,
trôpega em areia fina e ardente,
sem corpo e sem história,
deformidades de si mesma!
Percebo-lhe o conteúdo,
essência líquida em ar decomposto.
Há um oceano cósmico inalcançável,
águas imensas, permanentes,
absurdos de náufragos ausentes.
Nessa imensidade, moça,
sempre meus olhos destoantes,
matérias vítreas e estagnadas,
faces de ventos salinos
e leites lunares.
...
Dou-lhe minha substância impossível,
eterno sinal, estranha natureza,
beijo ácido e forma casual,
roupas com circunstâncias estrelares:
o céu é difuso e acidental.
Há espelhos estraçalhados,
conformidades de padrões,
o amanhecer desta linda cidade,
superfícies de imagens latentes.
vejo-a marinheira sem águas,
trôpega em areia fina e ardente,
sem corpo e sem história,
deformidades de si mesma!
Percebo-lhe o conteúdo,
essência líquida em ar decomposto.
Há um oceano cósmico inalcançável,
águas imensas, permanentes,
absurdos de náufragos ausentes.
Nessa imensidade, moça,
sempre meus olhos destoantes,
matérias vítreas e estagnadas,
faces de ventos salinos
e leites lunares.
...
Dou-lhe minha substância impossível,
eterno sinal, estranha natureza,
beijo ácido e forma casual,
roupas com circunstâncias estrelares:
o céu é difuso e acidental.
Há espelhos estraçalhados,
conformidades de padrões,
o amanhecer desta linda cidade,
superfícies de imagens latentes.
SEIS LINHAS
Nosso elo é inexistente:
temos a desistência,
o não-ser.
De nossas têmperas necessárias,
só a carne e nenhuma palavra,
nenhum gesto.
temos a desistência,
o não-ser.
De nossas têmperas necessárias,
só a carne e nenhuma palavra,
nenhum gesto.
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