Nunca se preocupe:
com os mesmos olhos veja a cidade,
ainda que não da mesma maneira!
[Conclusões dependem de espelhos
e de curvaturas de muitos vidros,
luzes que nos permitem].
Se temos a mesquinhez do espaço
e a sordidez dos amantes-heróis,
suponhamo-nos pessoas dignas;
e inventemos orações fúnebres e ritos,
deuses frios e ruas de mármore,
os jardins fictícios das memórias!
[Em nosso adormecimento,
há mundos totalmente abandonados
e inconseqüências de passos permitidos...].
Com nossas construções,
temos uma presença bem rápida,
somos circunstanciais.
[Ah, as situações que não existiram,
em que deveríamos ter sido!...
Veja: o dia suposto já ressurge!].
domingo, 4 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
ANSEIO
Temos esta noite inteira
e o verde de seus olhos,
mas não o dia seguinte.
Nossas descontinuidades...
Angústias e indiferenças,
luzes que se desmancham no céu.
Vamos, não tenha medo:
a areia brilha quando a pisamos,
temos evidências que cegam!
Nossos corpos cintilam, ofuscam-nos,
tudo é muito repetido, muito mágico,
temos encantos a serem tocados.
e o verde de seus olhos,
mas não o dia seguinte.
Nossas descontinuidades...
Angústias e indiferenças,
luzes que se desmancham no céu.
Vamos, não tenha medo:
a areia brilha quando a pisamos,
temos evidências que cegam!
Nossos corpos cintilam, ofuscam-nos,
tudo é muito repetido, muito mágico,
temos encantos a serem tocados.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
PASSOS NO SILÊNCIO
Andarei pela cidade com morte verdadeira,
sem a intensidade que me vem do imenso rio:
na linda praça dos homens aclamados,
sempre estarão as mulheres não-calculadas.
Andarei, ainda, com todas minhas lágrimas,
com meu sangue ausente,
uma só trilha, um só caminho,
a escura passagem de meus sonhos.
Minhas falas são seus silêncios,
passos prisioneiros,
e sua feição meiga e calma,
minha alma agonizante.
sem a intensidade que me vem do imenso rio:
na linda praça dos homens aclamados,
sempre estarão as mulheres não-calculadas.
Andarei, ainda, com todas minhas lágrimas,
com meu sangue ausente,
uma só trilha, um só caminho,
a escura passagem de meus sonhos.
Minhas falas são seus silêncios,
passos prisioneiros,
e sua feição meiga e calma,
minha alma agonizante.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
HORIZONTES
Uma mesa e quatro cadeiras,
ao lado, leite derramado.
Janela de brancas cortinas,
vento que as desordena,
gotas de lágrimas e sangue.
Lá fora, na intensa luz do dia,
correm os sonhos inquietantes.
Nas latências dos tempos concretos,
meus espaços imaginários,
o prosseguir por onde me nego.
Há a suavidade dos segredos,
os valores da eternidade.
Sobre o brilho intenso do chão,
estrelas precipitam-se,
desmancham-se desordenadas.
ao lado, leite derramado.
Janela de brancas cortinas,
vento que as desordena,
gotas de lágrimas e sangue.
Lá fora, na intensa luz do dia,
correm os sonhos inquietantes.
Nas latências dos tempos concretos,
meus espaços imaginários,
o prosseguir por onde me nego.
Há a suavidade dos segredos,
os valores da eternidade.
Sobre o brilho intenso do chão,
estrelas precipitam-se,
desmancham-se desordenadas.
terça-feira, 23 de março de 2010
PUREZA
Olhares fosco-brilhantes:
vertigens na noite que se afirma...
O Sol já é de vidro sem cor,
silente água desce pela lama,
escorrega entre plantas pegajosas.
E você ri com docilidade,
ternamente, muito ternamente...
Com suas mãos entre bolhas escuras,
retira cores de vapores fétidos
e concebe-me uma triste inocência.
vertigens na noite que se afirma...
O Sol já é de vidro sem cor,
silente água desce pela lama,
escorrega entre plantas pegajosas.
E você ri com docilidade,
ternamente, muito ternamente...
Com suas mãos entre bolhas escuras,
retira cores de vapores fétidos
e concebe-me uma triste inocência.
terça-feira, 2 de março de 2010
ADOLESCER
Nos sonhos tocava-lhe de leve os cabelos,
cautelosamente...
Acariciava-os e percebia a suavidade de seus olhos,
a pele sedosa que descia por seus ombros,
suas feições de desejo e de muito medo.
Lindas alças levadas pelos braços,
pouca resistência, delicadeza,
beijo quase roubado e quase negado.
Sutiã branco e bordado com flores,
seios delicados, púberes, pequenos,
seios que não podiam ser tocados.
Junto à parede, corpo quente insinuava-se,
formas sob levezas de vestido gasto,
e véus ainda não se desmanchavam no chão.
cautelosamente...
Acariciava-os e percebia a suavidade de seus olhos,
a pele sedosa que descia por seus ombros,
suas feições de desejo e de muito medo.
Lindas alças levadas pelos braços,
pouca resistência, delicadeza,
beijo quase roubado e quase negado.
Sutiã branco e bordado com flores,
seios delicados, púberes, pequenos,
seios que não podiam ser tocados.
Junto à parede, corpo quente insinuava-se,
formas sob levezas de vestido gasto,
e véus ainda não se desmanchavam no chão.
segunda-feira, 1 de março de 2010
CLÍMAX
No cimo do mundo,
arde a casa das paredes frias:
há negativa de sonhos
e chuvas muito intensas.
Nas gritarias dos ventos,
clarões rápidos e fortes,
o arrastar do tempo
e o vazio da noite.
Velhas luzes apagam-se,
almas desimplicam corpos,
o sangue transborda do rio,
a casa é solitária e única.
arde a casa das paredes frias:
há negativa de sonhos
e chuvas muito intensas.
Nas gritarias dos ventos,
clarões rápidos e fortes,
o arrastar do tempo
e o vazio da noite.
Velhas luzes apagam-se,
almas desimplicam corpos,
o sangue transborda do rio,
a casa é solitária e única.
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